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NOVA REDE CEREDA – BRASIL

CRIANÇAS VIOLENTAS

6º Encontro dos Núcleos da Nova Rede CEREDA –Br

Do artigo instigante de Jacques-Alain Miller, “Crianças violentas” destacamos três aspectos fundamentais. No primeiro, a indagação sobre  a natureza da violência – ser ou não um sintoma – orienta grande parte das perspectivas clínicas sobre a violência da criança. Miller diferencia a violência do ódio que, como o amor , é uma expressão localizada na dimensão de Eros marcando a diferença em relação à  expressão pura da pulsão de morte. Retomar a questão do funcionamento pulsional nas crianças nos parece aqui fundamental.

Ele nos recomenda também diferenciar as três dimensões: real, simbólico, imaginário, ao diferenciar as marcas no corpo da violência no imaginário, no fracasso da defesa, no transitivismo, no duplo especular, verificando sobretudo a incidência do real no simbólico. A proposta final neste texto de diferenciação entre as crianças violentas e as crianças erráticas nos parece muito interessante se consideramos a configuração das novas famílias e a sociedade contemporânea.

Em outro artigo, “Nada é mais humano que o crime” Miller apresenta um comentário instigante quando diz que em Freud o núcleo do sonho é uma transgressão da Lei onde os conteúdos são egoismo, sadismo, crueldade, perversão, incesto. Sonha-se contra a lei. De tal maneira quando se fala de um crime, do ponto de vista analítico, se poderia dizer que nessa história trata-se de si mesmo e não do outro.

Em “A agressividade em psicanálise” Lacan fundamenta o comentário de Miller dizendo das fixações em fantasias arcaicas e agressivas que comparecem nos sonhos e demonstram a relação específica do homem com seu corpo despedaçado. Além disso, tanto na histeria quanto na obsessão, as identificações narcísicas demonstram  nas variações apresentadas no duplo a relação do sujeito e  seu outro que acarreta necessariamente a angústia. A reação agressiva se inscreveria desde a posição paranóica fundamental do humano onde o eu e seu objeto são afetados. A agressividade é uma das coordenadas intencionais do eu humano que tem seu papel tanto na neurose moderna quanto no mal-estar da civilização. E ele conclui: “No homem liberado da sociedade moderna, eis que esse despedaçamento revela, até o fundo do ser, sua pavorosa fissura”.

Lúcia Mello