Rolar para cima

XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano

A queda do falocentrismo: conseqüências para a psicanálise

Perguntas via Whatsapp:

Eróticas

Desejo e gozo quando a falta falta

  • Oscar Reymundo (EBP/AMP)
  • Leticia Lanz (Psicanalista, Mestre em sociologia, especialista em gênero e sexualidade, autora de O Corpo da roupa)
  • Veridiana Marucio (EBP/AMP)
  • Preside: Rachel Botrel (EBP/AMP)
  • Debate: Simone Souto (AME- EBP/AMP)

1 – De: Jorge Pimenta: Para Oscar Reymundo: A questão de anatomia é o destino, tomado de Freud, quando o real da ciência pode mentir e sexo e gênero nem sempre é o mesmo, a anatomia é mesmo o destino?

2 – De: Guilherme R. Bcheche: A falta que falta. Há ausência da falta. Nada mais falta? O que substitui, então, esse lugar de vazio?

3 – Guilherme R. Bcheche: “O falo será substituído pela fala”. O falo será substituído? O que vejo e percebo é uma reafirmação do falo de formas, configurações e arranjos distintos mas nunca a sua substituição ou a sua queda. O falo não está travestido, mas ainda assim o falo?

4 – Jeannine Narciso: Para Oscar Reymundo: Os discursos e as práticas da ciência mudaram radicalmente a “relação que temos com nosso corpo como organismo e o nosso corpo como imagem”. Como você atende os sujeitos que tem a vontade de fazer a cirurgia de transição de sexo?

5 – Carlos Eduardo Leal: A Tarja Preta das revistas eróticas das bancas de revistas foi substituída pela Tarja Preta antidepressiva? O que cai?

6 – Marcus André Vieira – para Letícia : porque a normopatia não poderia ser ela própria um gozo?

7 – Cynthia: Para Oscar: vc falou sobre uma “certeza sobre o gozo” que me parece muito diferente de uma “certeza sobre o ser”. Qual relação haveria entre essa certeza sobre o gozo e a assunção do sexo proposta por Lacan?

8 – Isabel Duarte: para Leticia lanz: ela diz que “a psicanálise foi o canal de descoberta de que eu era capaz de ter a minha ética pessoal”. Queria saber o quanto ou como a mudanças do mundo de hoje ofereceu as condições para que ela pudesse fazer valer seu desejo?

9 – Gricel Osorio Hor-Meyll: Gostaria de um comentário sobre a conduta  que alguns têm adotado de deixar o gênero de seus filhos em aberto para aguardar que a criança  faça a escolha. O nome é neutro e a criança não é designada nem como menina, nem como menino.

10 – Eliane Costa Dias (EBP-SP): Podemos pensar a ordem social atual e as novas formas de  pluralidade ou de destituição das categorias de gênero, para além de uma questão de declínio no Nome-do-pai e do falocentrismo, como uma feminização da cultura e dos processos de subjetivação, como um empuxo ao gozo feminino?

Nesse caso, será que se trata de uma queda do falocentrismo ou de um para-além do falo,  mas não sem ele?

11 – Maria Lucia Albuquerque: A questão da identidade sexual passaria por uma opção ou escolha que é da ordem do eu, ou seja, consciente ou poderíamos fala do desejo que é da ordem do real?

12 – Marina Recalde: É interessante pensar a maneira que a sexuação se coloca levando a singularidade ao extremo: Letícia é uma criação de si mesma. A partir das três intervenções queria destacar a diferença entre a queda do falocentrismo e a queda do androcentrismo. Concordam com essa diferença?

13 – Márcia Zucchi: A evitação dos encontros sexuais entre os jovens hoje advém de um saber que a relação sexual não existe, ou justamente de um não querer saber nada sobre isso?

14 – Cristina Drummond: qual a importância do direito e das leis no campo da sexualidade na atualidade diante do sexo como singular?

15 – Bruno Fonseca Sbruzzi: Na fala da Veridiana e nos comentários da Simone, foi comentado sobre os gadgets e sobre a virtualidade como uma maneira de lidar com a angústia da inexistência da relação sexual e por vezes evitar esses encontros. Minha pergunta é no sentido de como pensar a virtualidade, seria ela um exemplo de inexistência da relação sexual ou se não poderíamos pensar como um espaço também de potência para o laço social? Afinal faço essa pergunta pelo WhatsApp.

16 – Eduardo Benedicto: Sexo para cada um, gênero para alguns e gozo para todos. Identificações segregativas. Ou teriamos no sexo, para cada um, inventado, que daria lugar para uma identificação não segregativa?

17 – Sarah Meireles: De que modo, atualmente, é possível bancar a ética em um momento em que há um desespero por “forçar” o viril por meio de uma figura masculina representante de onipotência?

18 – Armando Adurens: Pergunta para Oscar: Considerando que a grosso modo a falta de identidade entre gênero e anatomia e, consequentemente, a forma de satisfação daí advinda já foi colocada a mais de cem anos nos   Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, ou seja não é nada novo, pergunto se o termo falocentrismo seria um tentativa atual e desesperada de restaurar aquilo que a disparidade entre significante e significado não cansa de esgarçar?

19 – Maria Inês Lamy: Pergunta p Letícia e Oscar. Leticia Lanz disse que o sexo biológico é imutável. Freud teria razão: a anatomia é o destino? É impossível um macho se tornar fêmea e vice-versa. Quando o homem e a mulher mudam de gênero se auto-denominam homem-trans e mulher-trans. Talvez esteja aí, mais do que uma afirmação militante, a constatação de um impossível. Poderíamos situar aí o impossível? Estaria aí a falta irredutível, o impossível? Continuando… Modulando: uma forma de situar o impossível, diante da profusão de escolhas que pode fazer parecer que tudo é possível.

Poderes

Na vida e na polis

  • Jesus Santiago (AME- EBP/AMP)
  • Paola Salinas (EBP-AMP)
  • Lucíola Macedo (EBP/AMP)
  • Preside: Maricia Ciscato (EBP/AMP)
  • Debate: Romildo do Rêgo Barros (AME- EBP /AMP)

1 – Mário Nascimento: para Jesus: a psicanálise discorda da filósofa Hannah Arendt sobre o poder ou apenas descompleta, vai além com a contribuição da psicanálise que você mesmo expôs muito bem? Sem prescindir da importância da contribuição da referida filósofa?

2 – Wilson Barbosa: A Psicanálise esteve historicamente num lugar de poder pela interpretação, mas vem, pelo seu representante na cidade – o analista, perdendo a partir do pensamento lacaniano seu poder. Qual o futuro você pensa a Psicanálise?

3 – Jorge Pimenta: Para Jésus: A Democracia que pode ser tomada como jamais conclusiva, como sempre inacabada, pode ser pensada como algo do não-todo, qual é as consequências disso para a Psicanálise?

4 – Edgley Duarte: Para Jesus: Considerando que o fazer do analista perpassa o lugar de fala e supõe a linguagem como constituinte do falasser, como pensar o lugar da psicanálise num regime totalitário?

5 – Vicente Gaglianone: Identificação promove segregação, por estrutura. É preciso deixar um excesso de gozo fora na identificação. PORTANTO, há um paradoxo lógico entre identificação e des-segregacăo. Seria importante, a meu ver, indicar, ainda outra vez, a saída desse paradoxo lógico.

6 – Eduardo Benedicto: Jésus, podemos propor a democracia como sendo essencialmente feminina , não todo? Se sim, ainda que este e outros governos, no Brasil, já tenham falado em nome da democracia, mesmo sendo fascistas, podemos esperar algo deste gozo não-todo/suplementar fazendo um contraponto estrutural ao fascismo?

7 – Maria Lucia Albuquerque: poder-se-is fazer um paralelo de representantes do poder de países como os Estados Unidos e o Brasil com o mito Pai da Horda presente na obra de Freud?

8 – Sandra Viola: quando Jesus afirma a presença do mestre absoluto como efeito da democracia no seio de nossa cultura, podemos pensar este mestre como o mercado,  ou seja como o  objeto a no zenite como disse Miller ha pouco tempo? Se sim, gostaria de q falasse um pouco mais sobre a relaçao da queda do falocentrismo e o zenite do objeto a.

9 – C. Luciana: os populismo a fé direita na Europa Oriental e. Nos usa parece se espalhar. O que vc acha dessa virada na política , para a psicanálise?

10 – Armando Adurens: para Jesus: Você comenta que o totalitarismo atual não consegue restituir o antigo corpo social representado pelo monarca.

Dessa forma, o que de fato é feito pelos tiranos atuais? Seria uma tentativa reiterada e impossível de retomar o campo conquistado pela democracia, o que se chama atualmente falocentrismo?

11 – Sérgio de Campos: Para o Jésus: A crise de representatividade na política e a perda da crença na representação colocaria em risco à democracia?

12 – Pedro Xavier: Poderíamos pensar a feminização do mundo como uma consequência do desabono do gozo fálico, tido hoje, mais do que ontem, como insatisfatório pelo discurso dominante?

13 – Eliane Costa Dias (EBP): Pergunta para a Paola: Podemos pensar a ordem social atual e as novas formas de  pluralidade ou de destituição das categorias de gênero, para além de uma questão de declínio no Nome-do-pai e do falocentrismo, como uma feminização da cultura e dos processos de subjetivação, como um empuxo ao gozo feminino?

Nesse caso, será que a “fratria” ou a “sororidade” poderiam constituir organizações capazes de fazer borda ao real do gozo?

14 – Cristina Alves: Para Paola: A sororidade do feminismo não poderia também ser uma forma de ascensão do feminino na medida em que aceita cada mulher a sua maneira, em seu próprio gozo, sem as imposições do A mulher?

15 – Luciana Ribeiro Barbosa: para Paola: Existe um poder que não seja fálico? Como o feminino pode entrar na partilha de poder sem reproduzir a virilizacão que a História tem nos mostrado que sempre esteve ao lado da opressão?

16 – Juliana Prado: para Jesus Santiago: Quando seu texto aborda a “desincorporação geral”, me remeteu as novas formas de comunicação através das redes sociais.

Como você vê essa “tomada do diferente como inimigo a ser erradicado” nas configuracoes estruturais de nossas redes sociais, que operam justamente nessa lógica (facebook por exemplo)?

Por favor fale mais sobre esse “mestre de amanhã” que vc aponta como uma figura de resistência em tempos da cultura da segregação.

17 – Guilherme R. Bcheche: Para Jesus Santiago: Você fala sobre a não-lei, o furo da lei, que dá liberdade a inventar tudo aquilo que não está explicitamente proibido. Liberdade para inventar a vida. No entanto, mesmo em sociedades por longo tempo democráticas, o falocentrismo parece estar presente por toda parte não pela via do estado ou do público mas do particular, e acaba definindo a cultura de um lugar. Ou seja, o poder se manifesta de outra maneira, travestido. Um bom exemplo é mundo corporativo, onde a lei (e não a não-lei) incide sobre o sujeito de forma silenciosa e muitas vezes perversa. Nesse contexto, como você enxerga ou vislumbra a existência da democracia, da não-lei se o falocentrismo continua regendo a sinfonia de muitos ambientes particulares?

18 – Fernando Prota: Para Paola: Como articular o ter um corpo, o LOM, enquanto aquilo que perfaz o universal hoje, e o discurso capitalista, onde o universal é composto por todos consumidores, logo todos objetos de consumo. São posições de objeto que se relacionam?

19 – Rosangela: para Paola: Na queda do falocentrismo, a psicanálise vai do sintoma ao sinthoma para sustentar a diferença, isso é, um corpo, como universal?

20 – Maria Lucia Albuquerque: a posição feminina está contemplada também pela posição fálica, com a presença também de um gozo a mais e suplementar, como nos ensina Lacan. Tal conceito, poderia nos fazer pensar em um universal para o feminino?

21 – Daniela de Camargo Barros Affonso: para a Paola: Atualmente, proliferam-se “coletivos” de psicanálise. Entre eles, vários relativos à mulher, como coletivos de psicanalistas feministas ou de psicanalistas negras, ou homossexuais, etc. Como pensar este fenômeno no contexto apresentado em sua fala?

22 – Sérgio Laia: Para Lucíola: na citação de Grande Sertão, o DESPODER não seria mais um nome dado por Riobalfo para a impotência? Se for assim, o real sem lei, lacaniano, não apontaria muito mais para um enfrentamento com o impossível que aconteceria a partir da contingência? Nesse contexto, onde Riobaldo fracassa, inclusive por só alcançar Diadorim com Corpo morto, não é muito mais Rosa que nos ensina com seu uso singular da letra?

23 – Paula Brant Fernandes EBP-MG: O ódio à democracia na pólis, poderia ser a expressão do ódio ao próximo na vida? E o ódio, enquanto paixão odienta, expressa a desordem na junção mais íntima do sentimento de vida? Se assim for, o passe como a “poética do privado” seria um modo de alojar um pedaço de real, o mais íntimo do vivo no público?

Plenária

Faloexcentrismos

Pontuações clínicas

  • Marcelo Veras (AME- EBP/AMP)
  • Louise Lhullier (EBP/AMP)
  • Isabel do Rêgo Barros Duarte (EBP/AMP)
  • Preside: Iordan Gurgel (AME- EBP/AMP)
  • Debate: Maria Sílvia Hanna (EBP/AMP)

1 – Carlos Luchina: O que vc acha do movimento #elenão? Simplesmente derivados da histeria? Consequências para a psicanálise.

2 – Bernardo Micherif Carneiro para Louise Lhullier: Será que não estaríamos hoje em uma sociedade que generalizou o “Cala boca já morreu”? Ou seja, ao contrário dos regimes totalitários do século passado que impunham o silêncio, trata-se hoje de uma incitação a que tudo seja dito, que tudo que não se dizia para preservar o laço social seja proferido como veículo para o ódio.

3 – Vanya Bayon Dodeles: Isabel alinhava muito bem vários trabalhos. O que fica como questão seria possível se haver sem o falo norteador numa forma consistente?

4 – Katiuscia Kintschev: Comentário: Plenária linda! Esta idéia de falar sem uma “preparação prévia” faz a intervenção estar mais para o campo do ato, um ponto de partida para a relação atual com o Outro.

5 – Vinícius Moreira Lima para Marcelo Veras: Marcelo, gostaria de ouvir mais de você de que forma o matema a/menos phi poderia contribuir para pensar as respostas de Lacan frente aos impasses da teoria do falo como significante e, portanto, para nosso debate da queda do falocentrismo.

6 – Felipe Ortolani: Quais os efeitos da queda do falocentrismo para a prática da psicanálise de orientação lacaniana?

7 – Eduardo Gomes para Louise Lhullier: Tu aproximas a sorororidade, nomeação dos laços entre mulheres dos movimentos feministas, da fraternidade, cerne da segregação. Contudo, não seria a fraternidade – par da segregação – uma articulação falocêntrica, ordenada pelo lado masculino da sexuação?

8 – Paula Goulart: Poderíamos pensar que o uso excessivo do virtual pelos jovens, fixados no uso dos celulares e tablets, como um reflexo de que as crianças hoje chegam ao mundo também como objetos de consumo produzidos pela ciência e não do desejo de seus pais?

9 – Carlos Eduardo Leal: Esta mesa parece com a estrutura do passe. Os analistas se põem a dizer o que escutaram dos trabalhos. E agora, Maria Silvia acolhe a fala dos “passadores”, como num Cartel do passe. A Queda do Falocentrismo no dispositivo do passe (na Civilização) dos analistas.

10 – Romina Magalhães Gomes para Marcelo Veras: poderia dizer um pouco mais sobre sua colocação de “encontrar uma função ali onde não há um nome” nos casos de psicoses ordinárias?

11 – Fernanda Baptista: A partir da questão levantada sobre o acesso excessivo à bidimensionalidade desde os bebês estar relacionado aos impasses de se relacionar com o corpo do outro, com o sexo, a diferença sexual, poderíamos relacionar esse fenômeno à emergência dos autismos como o diagnóstico do nosso tempo?

12 – Liliany Pacheco: No seminário 20, Lacan afirma que só como contingência é que é pela psicanálise, o Falo, reservado nos tempos antigos aos Mistérios, parou de não se escrever. Nada mais. Ele não entrou no não pára, no campo do qual depende a necessidade, por alguma parte e, mais acima, a impossibilidade. O verdadeiro testemunha então aqui que, ao por em guarda, como ele faz, contra o imaginário, tem muito a ver com “a” na tomia

13 – Guilherme R. Bcheche: vocês citam e refletem sobre a mudança dos analisantes, das configurações sociais, da alteração do poder da palavra. Gostaria muito de saber o que pensam sobre a mudança do analista, de seu próprio deslocamento, de sua posição Contemporânea – como ela vem se alterando?

14 – Fernando Prota: O que Kepler introduz de realmente subversivo, não é a passagem da órbita circular para elíptica, nessa abordagem especial ainda há um centro. O que subverte é que de uma abordagem imaginária do mundo que inclui a ideia de centro, ou de Deus, ele consegue colocar em uma fórmula matemática. É o significante que desloca a ideia de centro. O significante hoje ainda guarda seu potencial subversivo?

15 – Damodara para Maria Silva Hanna: Poderia ser dito “do falocentrismo para o faloelipscismo”? Uma solução copernicana.

16 – Leonardo Goldberg para Marcelo Veras: Algumas referências aludem a um sexo virtual. Haveria um sexo não virtual? Ou: alguma tela não existiria desde sempre? A ideia de uma troca tridimensional não reduziria o corpo a um corpo orgânico?

17 – Veridiana Marucio: Por que sempre, ao falar dos efeitos desse deslocamento do falo, aparece a inquietude e não algo que possa ser o novo de uma solução, pois não podemos dizer que outrora estávamos realmente garantidos e sim na falácia do falo?

18 – Gabriela Ely para Marcelo Veras: como pensar o uso de dispositivos virtuais pelo analista?

19 – Guilherme Scheidemantel para Marcelo Veras: a bidimensionalidade dos gadgets atuais talvez seja uma ponte para um estágio mais avançado em 3D: a realidade virtual. Você poderia revisitar o comentário da baronesa inglesa sob esta luz? Ponte temporária, deve chegar em breve.

Plenária

Fake News, algoritmos e a verdade

A massa e as redes

  • Jorge Forbes (AME- EBP/AMP)
  • Rodrigo Lyra (EBP/AMP)
  • Preside: Romulo Ferreira (AME- EBP/AMP)

1 – Jaqueline Ferreira: A queda do falocentrismo seria vertiginosamente acentuada com o avanço e automação do trabalho e do conhecimento com o potencial de inteligência artificial e da robótica, o que se convencionou chamar Revolução 4.0, e a superação do capitalismo de consumo para o capitalismo de clusters geolocalizados!?

2 – Regina Cheli Prati: É preciso parabenizar a organização pela retomada da participação efetiva dos membros na apresentação dos trabalhos clínicos. A mesa Faloexcentrismos provocou discussões nas mesas simultâneas que há tempos não aconteciam. Um acerto da organização!

3 – Felipe Ortolani para Rodrigo Lyra: Com a queda do falocentrismo, estaríamos diante da ascensão do “fakecentrismo”?

4 – Guilherme R. Bcheche: Sob o ponto de vista de negócio, os algoritmos são a base da nova lógica capitalista – a “singularidade” do que é oferecido a cada um, a venda super assertiva. No entanto, cada um continua tendo, em seu poder, como e quando vai permitir ser objeto de uso desses algoritmos até que caia em um vício, em gozo, em sofrimento. Assim como o sujeito diante do Facebook ou do Google, o sujeito construtor do algoritmo também é um sujeito com sua subjetividade. Nesse contexto, por que os algoritmos são necessariamente uma máquina de destruição da divisão do indivíduo?

5 – Saú Pereira Tavares de Oliveira para Rodrigo Lyra: Você tem alguma ideia dos caminhos possíveis para considerar o corpo dos que se submetem à análise, no uso dos meios virtuais?

6 – Leonardo Goldberg para Rodrigo Lyra: o algoritmo existe antes da emersão do digital. A propaganda de guerra também causava, desde muito, picos de engajamento, e sempre contou com a ajuda de algum algoritmo. A “vida digital”, que cita no final da fala, por outro lado, não poderia ser também pensada como mais um modo de subjetivação, e não apenas como mais uma toxicomania? Obrigado!

7 – Diogo Teixeira: Rodrigo Lyra articula a relação entre a fake news e a divisão subjetiva, logo gostaria que comentassem qual a relação entre os algoritmos e as certezas psicóticas durante o último período eleitoral brasileiro, tal como expostas na fala de Marcus André Vieira na mesa de abertura do encontro.

8 – Niraldo de Oliveira Santos: O Brasil ficou mundialmente famoso como um grande produtor de “memes”. Recentemente, passamos a fabricar “fake news” de modo massivo. Como pensar a função do falo no chiste e no insulto?

9 – Fabiola Ramon para Rodrigo Lyra: Das new fakes faladas, suporte da fantasia, às fake news engendradas pelos algoritmos, o que se esvazia (ou cai) do lado do sujeito? O desejo? O recurso à fantasia? Vc poderia comentar suas hipóteses…

10 – Luis Francisco Camargo: O que difere as fake news da fofoca, da difamação não baseada em fatos concretos? Não seria o fato da possibilidade instantânea de verificar a contraditória? O novo em relação ao passado não seria essa possibilidade instantânea de contradizer a notícia e falseá-la? Assim, um dos efeitos do saber prêt-a-porter no Google não iria ao encontro do discurso do analista, questionar o saber no lugar da verdade?

11 – Carlos Luchina: Fale ou difamação? Verdade ou mostrar o que se precisas para destruir?

12 – Rodrigo Fraga para Rodrigo Lyra: Você poderia dizer um pouco mais sobre a sua última frase, em relação aos analistas se interessarem pelo uso da internet que fazem os analisandos? Como ouvir o sujeito “sem divisão”, produto do engajamento algorítmico? Haveria, além da escuta, alguma forma de incidência, de presença, de intervenção no próprio uso da internet?

13 – Henri Kaufmanner: Não é interessante pensar que nesse mundo tomado pela experiência do não -todo, as fake news se disseminam na vertente da difamação? Afinal o Dit-femme não é uma das estratégias para se operar com o feminino?

14 – Jaqueline Coelho: Sobre os comentários de Forbes acerca da regulação de fenômenos como as fake news. Não deveríamos tomar esse tipo de proposta como uma alternativa necessária, ainda que saibamos que seja furada? Não seria o caso de tomar a regulação como um semblante necessário?

15 – Denizye Zacharias para Jorge Forbes: Como está se sentindo com a cópia de Dias Tofolli se a proposta de Terra Dois é o contrário.

Plenária

2ª Conferência de Éric Laurent

“Além do falo: a desordem do ilimitado”

  • Preside: Paula Borsói (EBP/AMP)

1 – Camila Abraham: En argentina el movimiento feminista, a partir del año 2015 se ordenó atrás de dos grandes temas y lemas “ni una menos” en relación al femicidio y a la lucha activa por la “ley de aborto, legal, seguro y gratuito”. Acerca de este fenómeno social la EÓL no se pronunció. Quería saber su pensamiento acerca de este movimiento y si el psicoanálisis puede decir algo acerca de esto. Gracias.

2 – Eliane Dias: Se o fenômeno trans não é uma terceira sexuação, na clínica, como abordar o trans numa perspectiva diagnóstica?

3 – Mário Nascimento: podemos entender a dessegregação como uma postura compatível com a ética da psicanálise, que descompleta e vai além da ética do bem e ao mesmo tempo não prescinde e acata a ética do bem, ou seja, acata algo do que é nomeado como humanista?

4 – Ondina Machado: As modificações que constatamos na contemporaneidade parecem recair mais fortemente sobre as sexualidades. Pergunto: trata-se de um fenômeno novo ou ainda estamos no vácuo da liberação sexual dos anos 50/60?

5 – Juliana Ribeiro: Podemos colocar a desordem do mais além do falo como a esperança de que seria possível a harmonia na relação sexual, numa complementariedade perfeita? Seria este um delírio contemporâneo sustentado pelo ideal da tecnologia e da ciência?

6 – Eduardo Benedicto: Poderia nos dar um exemplo de uma interpretação assemântica?

7 – Jésus Santiago: No âmbito da experiência da análise, o isolamento da opacidade do gozo é uma condição para a constituição do “parceiro-sintoma”?

8 – Edgley Duarte: Como pensar o homem do lado do lugar do não-todo e quais as possíveis consequências para se pensar a atual conjuntura política do país?

9 – Osni dos Anjos: O processo de libidinização do corpo do sujeito passa pelas marcas mnêmicas? Como explicar o transsexual, que recebeu marcas mnêmicas num corpo masculino mas que agora deseja ter um corpo feminino? Essas marcas falharam? Ou estamos falando de um possível delírio?

10 – Sérgio Laia: Ontem, se entendi bem, o falo não negativizável foi associado ao gozo colocado em cena por Hitler. Entretanto, ele não teria também outro aspecto, relacionado ao que insiste como opaco ao sentido no sinthoma, ao que não se negativiza na fantasia?

11 – Marcelo Veras: O Sr acredita que há algo de novo a acrescentar à teoria da identificação de Freud no momento em que, ao invés dos grandes símbolos, são o WhatsApp e os fakenews que decidem as eleições?

12 – Renato Vieira: Senhor Laurent, parece-me que o senhor chegou no final da exposição de hoje evidenciando algo da “interpretação forçosamente” isolada por Lacan no seminário 24. Algo do real ressoa nesta interpretação sem se servir do sentido sexual?

13 – Ramayana Mello: É possível para os transexuais estar dos dois lados da sexuação? De que forma?

14 – Jeannine Narciso: No seriado Sense 8, dirigido, escrito e produzido pelas irmãs Lilly e Lana Wachowski, mulheres trans, aparece a questão da transição de gênero e as formas contemporâneas de viver a orientação sexual. Nomi, uma das personagens, conta que viveu o isolamento, a não aceitação da sua forma de viver a orientação sexual e não está preocupada com a diferença sexual diz: “só penso que as distinções nos separam”. O que o senhor pensa sobre esta afirmação?

Guilherme R. Bcheche: Você diz que, sob ponto de vista da sexuação, existem dois lados, o masculino e o feminino, independente da anatomia. Por que o trans está fora dessa dicotomia?

15 – Gustavo Ramos: Poderias falar um pouco mais sobre o falo real, não negativizável após a morte do pai?

Plenária

Sintomas

Singularidade, identificações e constelações

  • Helenice de Castro (EBP/AMP)
  • Flora Sussekind (Pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa, profa. UniRio)
  • Dominique Laurent (AME- ECF/AMP)
  • Preside: Angelina Harari (AME- EBP/AMP)
  • Debate: Ram Mandil (AME- EBP/AMP)

1 – Cristiano Pimenta: Gostaria de perguntar a Dominique qual relação poderíamos estabelecer entre o que vc chamou de o “sintoma como gozo singular apreendido no tratamento” e o amor como um encontro que acontece na contingência?

2 – Carlos Eduardo Leal: Para Flora: Caetano apropria-se do poema Galáxias para cantar “Outras Palavras” (lambete-lho fruto orgasmaravalha-me ogum). Você poderia comentar esta musicalidade da poesia?

3 – Getulio Amaral Júnior: A palavra do início de análise com o compromisso lexíco e semântico do blábláblá da língua materna, vai se transformando como uma metamorfose para uma língua estrangeira aos moldes da metamorfose kafkana e nos remete a uma construção do novo com o gozo. Isso tá do lado do inseto ou do inseticida.

4 – Guilherme R. Bcheche: Pergunta para Flora: Você fala em composição através da supressão. Por que essa “máxima” te interessa? Como você imagina o uso dessa dela no seu trabalho, na sua fala, na sua palavra?

5 – Jésus Santiago: Para Dominique Laurent: você poderia retomar as duas concepções do sintoma presente, no Sem “RSI”, e porque a disjunção entre saber e crer é importante na apreensão destas concepções do sintoma ?

6 – Inês Seabra: Queria perguntar para Helenice sobre o sonho do final da análise : Ali onde estava o vaso (para Lacan o real eh o vazio dentro do vaso) se o telefone não é o vazio onde passa o objeto voz, não o falo.

7 – De Ana Beatriz Freire para Flora Sussekind: qual seria a relação (ou anti relação) entre epifania e travessão, como separação, ruptura?