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Bibliografia Básica

Benvindos à preparação do XXII Encontro Brasileiro de Psicanálise do Campo Freudiano! O projeto de constituir uma lista de referências e citações de autores que consideramos fundamentais para o tema do XXII Encontro tem a intenção de libidinizar, de atrair o interesse de nossa comunidade e de todo aquele que quiser se aproximar de nosso trabalho e visitar o site. Trata-se de autores e textos que orientam nossa prática e nossa reflexão, podendo provocar leitura, pesquisa e escrita em torno do tema A queda do falocentrismo e suas consequências para a psicanálise.

O frequentador deste espaço do site vai encontrar uma bibliografia básica capaz de introduzi-lo no tema e remetê-lo aos comentários de passagens escolhidas que testemunham sua atualidade e as múltiplas possibilidades de leitura que comporta.

Desejamos a todos um bom trabalho rumo a nosso XXII Encontro Brasileiro!

Referências

XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano (2018)

 

FREUD, Sigmund, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

______. (1923) “Organização genital infantil”, v.XIX, pp.157-161

______.(1924) “A dissolução do complexo de Édipo”, v.XIX, pp.193-199

______. (1925) “Algumas consequências psíquicas da diferença anatômica entre os sexos”, v.XIX, pp. 277-286.

______. (1927) O Fetichismo, v. XXI, pp. 179-185.

______. (1931) “Sexualidade feminina”, v. XXI, pp. 233-251.

______. (1932) “Conferência XXXIII – Feminilidade”, v. XXII, pp.113-134.

LACAN [1956-1957] O seminário: livro 4: a relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1995.   Lições:  28/11/1956; 5/12/1956; 23/1/1957; 6/2/1957; 27/2/; 20/3/57 13/3/57, 10/4/57.

______ [1957-1958] O Seminário: livro 5: as formações do inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999. Lições: 29/1/58; 12/2 ;12/3;16;4,30/4; 7,14 e 21/58.

______ [1958] A significação do falo. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, pp.692-703.

_____. [1958] Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, pp.734-745.

_____ (1962-1963) O seminário, livro 10. A angústia. Rio de Janeiro, Zahar, 2005.

______ (1972-1973) Seminário 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.

­­­______ [1975-76] O seminário, livro XXIII: o sinthoma. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2007.

______ . A terceira. Opção Lacaniana, n.62. São Paulo: Eolia, 2011.

LAURENT, E. A psicanálise e a escolha das mulheres. Belo Horizonte, Scriptum, 2012.

______ Os efeitos da psicanálise no tecido da civilização. Entrevista de Éric Laurent a Fabiola Ramon. Opção Lacaniana online nova série Ano 8, no 22. Março 2017.

______ Paixões religiosas do falasser. Opção lacaniana, no 75/76. Maio 2017. p. 33-45.

MILLER, J.-A. O Falo barrado. In: Lacan Elucidado, palestras no Brasil, Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1997.

______ Do falo como significado ao falo como significante. In: Perspectivas do Seminário 5 de Lacan. , Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1999.

______ Silet: paradoxos da pulsão de Freud a Lacan. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2005. p. 47-52.

______ Mulheres e semblantes I. Opção lacaniana online nova série. Ano I. Número 1. Março 2010.

______ Mulheres e semblantes II. Opção lacaniana online nova série. Ano I. Número 1. Março 2010.

­­­______ Mais interior que o mais íntimo. Opção lacaniana. no 78. São Paulo, 2018.

Citações Ordenadas por Temas

1.FALOCENTRISMO

1.1. “Todo o problema das perversões consiste em conceber como a criança, em sua relação com a mãe, relação esta constituída na análise, não por sua dependência vital mas pela dependência de seu amor, isto é, pelo desejo de seu desejo, identifica-se com o objeto imaginário de seu desejo, na medida em que a própria mãe o simboliza no falo.

O falocentrismo produzido por essa dialética é tudo o que temos a reter aqui. Ele é, bem entendido, inteiramente condicionado pela intrusão do significante no psiquismo do homem, e estritamente impossível de deduzir de qualquer harmonia preestabelecida do dito psiquismo com a natureza que ele exprime”. (LACAN,  De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose. In: Escritos. p. 561);

1.2. “Se tornarmos a partir desse efeito de véu, para com ele relacionarmos a posição do objeto, suspeitaremos de como pode esvaziar-se a monstruosa conceituação pela qual o ativo analítico foi interrogado mais acima. Talvez ela simplesmente queira dizer que tudo pode ser imputado à mulher, já que, na dialética falocêntrica, ela representa o Outro absoluto.” (LACAN. Para um congresso sobre a sexualidade feminina. In: Escritos. p. 741).

1.3. “Nesta ou naquela ocasião, vocês podem ter pensado, sugerido, que dou aqui uma concepção falocêntrica do desejo.

Que o falo desempenhe um papel essencial nessa dialética é totalmente evidente. Mas como verdadeiramente entender sua função, se não é no interior das referências ontológicas que estamos tentando introduzir? […]

Se há algo que o falo como significante significa, é o desejo do desejo do Outro, e é por esse motivo que ele assumirá seu lugar privilegiado no nível do objeto. Contudo, estamos bem longe de nos atermos à posição falocêntrica que me é imputada por aqueles que se atêm à aparência do que estou articulando. O verdadeiro problema não é esse, e sim que o objeto com que estamos às voltas desde a origem no que concerne ao desejo não é, em nenhum grau, um objeto pré-formado da satisfação instintiva, um objeto destinado a satisfazer o sujeito como seu complemento instintivo – o objeto do desejo e o significante do desejo do desejo.” (Lacan, Jacques, O seminário livro VI, o Desejo e sua interpretação, Rio de janeiro, Editora Zahar, 2016, p: 509- 511)

1.4. “Jones girou por muito tempo em torno desse problema, encarnado no que se supõe implicado pela perspectiva falocêntrica, a saber, a ignorância primitiva não só do homem, mas da própria mulher, no tocante ao lugar da conjunção, isto é, à vagina. Os desvios percorridos por Jones nesse caminho, em parte fecundos, embora inacabados, mostram a que visavam na invocação a que ele recorre, a famosa Ele os criou homem e mulher, aliás muito ambígua”. (LACAN, J. O seminário, livro 10. A angústia.p. 291).

2. FALO E DESEJO

2.1. “O falo é o significante privilegiado dessa marca onde a parte do logos se conjuga com o advento do desejo.

Pode-se dizer que este significante foi escolhido como o mais saliente do que se pode captar no real da copulação sexual, e também como o que é mais simbólico no sentido literal (tipográfico) desse termo, já que ele equivale aí à cópula (lógica). Também podemos dizer que por sua turgidez, ele é a imagem do fluxo vital na medida em que ele se transmite na geração.” (LACAN, J. [1958] A significação do falo. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. p. 699).

2.2 “Essa experiência do desejo do Outro, a clínica nos mostra que ela não é decisiva pelo fato de o sujeito nela aprender se ele mesmo tem ou não um falo real, mas por aprender que a mãe não o tem. É esse o momento da experiência sem o qual nenhuma consequência sintomática (fobia) ou estrutural (Penisneid) que se refira ao complexo de castração tem efeito. Aí se assina a conjunção do desejo, dado que o significante fálico é sua marca, com a nostalgia ou a ameaça da falta-a-ter.” (LACAN, J. [1958] A significação do falo. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. p. 701)

2.3  “Que o falo seja um significante impõe que seja no lugar do Outro que o sujeito tem acesso a ele. Mas, como esse significante encontra-se aí velado, e como razão do desejo do Outro, é esse desejo do Outro como tal que se impõe ao sujeito reconhecer, o outro enquanto ele mesmo é um sujeito dividido pela Spaltung significante.” (LACAN, J. [1958] A significação do falo. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, p. 700).

2.4. “O corte é sem dúvida, o modo mais eficaz da interpretação analítica…..

Dito isso, não esqueçamos a presença, nesse corte, do que aprendemos a reconhecer sob a forma do objeto fálico, latente em toda relação de demanda como significante do desejo. “LACAN, J. O Seminário, Livro 6. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2016 , p. 519)

3.FALO E NÃO TODO

3.1. “Quanto a esse mesmo ponto, convém indagar se a mediação fálica drena tudo o que pode se manifestar de pulsional na mulher, notadamente toda a corrente do instinto materno. Por que não dizer aqui que o fato de que tudo o que é analisável é sexual não implica que tudo o que é sexual seja acessível à análise?” LACAN, J. 1958, Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, p. 739.

3.2.“Que tudo gira ao redor do gozo fálico, é precisamente o de que dá testemunho a experiência analítica, e testemunho nisso, que a mulher se define por uma posição que apontei com o não-todo no que se refere ao gozo fálico. Vou um pouco mais longe – o gozo fálico é o obstáculo pelo qual o homem não chega, eu diria, a gozar do corpo da mulher, precisamente porque aquilo do que ele goza é o gozo fálico.” (LACAN, J. Seminário 20 mais, ainda (1972-1973) Versão brasileira de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.15)

3.3. “Mas aí onde Lacan faz uma operação distinta de uma oposição estrutural, ele convoca um correlato de fora do sistema simbólico; se significa alguma coisa qualificar a posição feminina de suplemento, é situá-la fora desse parêntese definido pela redução do falo a uma oposição simbólica, e não mais à posse de um órgão que teria virtudes tão adequadas ao sexual, já que justamente ele é muito inferior à sua função.” (LAURENT, E. A psicanálise e a escolha das mulheres. Belo Horizonte, Scriptum, 2012., p. 89)

3.4. “Frente ao “para todo homem”, à função fálica que define o “todo homem”, corresponderia estritamente em espelho o “toda mulher”. Trata-se da paridade histérica que também é uma maneira de preservar, não sob o modo da tirania machista, a função d’A Mulher.” (LAURENT, E. A psicanálise e a escolha das mulheres. Belo Horizonte, Scriptum, 2012., p. 208)

3.5. “Nem por isso deixa de acontecer que se ela (a mulher) está excluída pela natureza das coisas, é justamente pelo fato de que, por ser não-toda, ela tem, em relação ao que designa de gozo a função fálica, um gozo suplementar.” (LACAN, J. Seminário 20; mais, ainda. Zahar, 1985. p. 99

4.GOZO FÁLICO

4.1.”O gozo peniano advém a propósito do imaginário, isto é, do gozo do duplo, da imagem especular, do gozo do corpo. Ele constitui propriamente os diferentes objetos que ocupam as hiâncias das quais o corpo é o suporte imaginário. O gozo fálico, em contrapartida, situa-se na conjunção do simbólico com o real. Isso na medida em que, no sujeito que se sustenta no falasser, que é o que designo como sendo o inconsciente, há a capacidade de conjugar a fala e o que concerne a um certo gozo, aquele dito do falo, experimentado como parasitário, devido a essa própria fala, devido ao falasser”. (LACAN, J. [1975-76] O seminário, livro XXIII: o sinthoma. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2007, p. 55)

4.2.”Este é, nomeado, o ponto que cobre a impossibilidade da relação sexual como tal. O gozo, enquanto sexual, é fálico, quer dizer que ele não se relaciona ao Outro como tal.” (LACAN, J. Seminário 20 mais, ainda (1972-1973) Versão brasileira de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.17-18)

5. FALO X ORGÃO

5.1 “Ao mesmo tempo, a característica principal dessa ‘organização genital infantil’ é sua diferença da organização genital final do adulto. Ela consiste no fato de, para ambos os sexos, estar em consideração apenas um órgão genital, ou seja, o masculino. O que está presente, portanto, não é uma primazia dos órgão genitais, mas uma primazia do falo.” (Freud, S. (1923) A organização genital infantil. Edição Standard das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud,v. XIX, p. 180)

 

5.2.“Para nós, em nossa referência ao inconsciente, é da relação ao órgão que se trata. Não se trata de relação à sexualidade, nem mesmo ao sexo, se é que podemos dar a este termo uma referência específica – mas de relação ao falo, no que ele falta ao que poderia ser atingido de real na visada do sexo.” (LACAN, J. O seminário. Livro 11. Os quatro conceitos fundamentais em psicanálise. Rio de Janeiro, Zahar, 1979. p. 100)

6.FALO E CASTRAÇÃO

6.1. “Parece-me, porém, que o significado do complexo de castração só pode ser corretamente apreciado se sua origem na fase da primazia fálica for também levada em consideração.” (Freud, S. (1923) A organização genital infantil. ESB. v. XIX ,p. 182)

6.2.“Lacan faz da castração o nome da falta fundamental que nenhum objeto pode tampar, fato não tão evidente na leitura de Freud. […] Lacan opera aceitando o interesse pela relação de objeto, mas reintroduzindo na teoria o que lhe falta, a castração. Não há teoria de objeto em psicanálise, a não ser em referência à castração.” (Miller, “ O Falo barrado”. In: Lacan Elucidado, palestras no Brasil, Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1997.p 460).

6.3.“…Aphanisis, aqui, consiste em escamotear o objeto em questão, o falo. Se o sujeito não consegue ter acesso ao do Outro, é porque o falo não está posto em jogo, está reservado, preservado.

Ora, vocês verão que o que há de mais neurotizante não é o medo de perder o falo ou o medo da castração.

A fonte absolutamente fundamental da neurose é não querer que o Outro seja castrado.” (LACAN, J. O Seminário, Livro 6. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2016,p.251).

6.4. “Já em “Subversão do sujeito e dialética …”, Lacan termina dizendo: a castração significa que o gozo precisa ser recusado, para que possa ser atingido”. Não devemos nos hipnotizar sobre a recusa do gozo, isso é o que acontece, digamos, na lógica da castração. O termo importante é a ideia de que ele pode ser atingido, ou seja, podemos sair do teatro do sacrifício fálico.”  (MILLER, J.-A. Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. Entre desejo e gozo. Rio de Janeiro, Zahar, 2011, p. 183)

7. SIGNIFICAÇÃO FÁLICA

7.1. “A renúncia ao pênis não é tolerada pela menina sem alguma compensação. Ela desliza – ao longo da linha de uma equação simbólica, poder-se-ia dizer – do pênis para um bebê.” (FREUD, S. (1924) A dissolução do complexo de Édipo. ESB v. XIX ,p. 223)

7.2. “Agora, porém, a libido da menina desliza para uma nova posição ao longo da linha – não há outra maneira de exprimi-lo – da equação ‘pênis-criança’. Ela abandona seu desejo de um pênis e coloca em seu lugar o desejo de um filho; com esse fim em vista, toma o pai como objeto de amor.” (FREUD, S. (1925) Algumas consequências psíquicas da diferença anatômica entre os sexos. ESB. v.XIX. p 318)

7.3 .“O falo já está presente antes, na relação do desejo da mãe, mas não situável, como uma incógnita, um significado que desliza por todos os lados e que está no reflexo do espelho. (…)

O passo que Lacan dá, continuando seu movimento de elaboração, consiste em dizer que o falo, para ser este denominador comum dos significados, deve ser ele mesmo um significante. Então o falo tem um estatuto superior ao de significado já que, de certa forma, é como o Nome-do-Pai, um significante que reúne a todos os significados.” (Miller, J.-A. Do falo como significado ao falo como significante. In: Perspectivas do Seminário 5 de Lacan. , Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1999, p. 103).

7.4.“E Lacan continuou essa conceituação de Freud quando disse que se trata, precisamente, da significação do falo, que essas questões de valor podem se escrever a partir da lógica do falo; nesses termos ele responde a questão de sob que condição o outro sexo pode apoderar-se da Bedeutung do falo, da significação do falo para o sujeito.” (Miller, J.-A. Convergência e divergência.  Opção Lacaniana online nova série. Ano 1. Número 2. Julho 2010, p. 4).

8.FALO E OBJETO

8.1. “Toda a elaboração do objeto a é para dar conta da elaboração de um objeto cuja estrutura seja comum ao (-ϕ)”. (Miller, “ O Falo barrado”. In:  Lacan Elucidado, palestras no Brasil, Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1997, p.473)

8.2.“ Não há nenhuma metamorfose natural da pulsão oral em pulsão anal, quaisquer que sejam as aparências que ocasionalmente nos possam dar o jogo de símbolo que constitui, em outros contextos, o pretendido objeto anal, isso é, as fezes, em relação ao falo em sua incidência negativa, não podemos em nenhum grau – a experiência nos demonstra isto – considerar que haja continuidade da fase anal à fase fálica que haja relação de metamorfose natural.” (LACAN, J. O seminário. Livro 11. Os quatro conceitos fundamentais em psicanálise. Rio de Janeiro, Zahar, 1979, p. 171)

8.3. “…O que o voyeur procura e acha é apenas uma sombra, uma sombra detrás da cortina. Aí ele vai fantasiar não importa que magia de presença, a mais graciosa das mocinhas, mesmo que do outro lado haja apenas um atleta peludo. O que ele procura não é, como se diz, o falo – mas justamente sua ausência, donde a preeminência de certas formas como objetos de sua pesquisa.” (LACAN, J. O seminário. Livro 11. Os quatro conceitos fundamentais em psicanálise. Rio de Janeiro, Zahar, 1979, p.173).

8.4.“Há muitos outros requintes na maneira de substituir esse gozo cujo aparato, que é do social e que desemboca no complexo de Édipo, faz com que, por ser o único que daria felicidade – justamente por isso – esse gozo seja excluído. Essa é propriamente a significação do complexo de Édipo. E é por isso mesmo que na investigação analítica o que interessa é saber como aparece, em suplência à interdição do gozo fálico, algo cuja a origem definimos a partir de uma coisa totalmente diversa do gozo fálico, que é situada, e por assim dizer, mapeada, pela função do mais-de-gozar.” (LACAN, J. Seminário 17. O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed.  1992., p. 70).

9. SER E TER O FALO

9.1. “Há, com efeito, uma relação entre o falo e o Outro. Mas certamente não é uma relação que coloca o primeiro para além do segundo, no sentido de que o falo seria o ser do Outro – supondo que alguém tenha formulado a questão nestes termos. Se o falo tem alguma relação com algo, é muito mais com o ser do sujeito.” (LACAN, J. O Seminário, Livro 6. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2016. , p. 234)

9.2. “Opus, em seguida, duas formas possíveis que a relação do sujeito com o falo pode adquirir, introduzindo uma distinção essencia, aquela entre ser o falo e ter o falo.” (LACAN, J. O Seminário, Livro 6 O Desejo e sua interpretação. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2016, p. 234).

10. NÃO HÁ RELAÇÃO SEXUAL

10.1. “A chamada função do falo – que é, verdade seja dita, a mais inabilmente manejada, porém esta aí e funciona no que se passa com uma experiência que não esta unicamente ligada a sabe-se lá o que deveria ser considerado como desviante, patológico, mas é essencial como tal para instituição do discurso analítico -, essa função do falo torna insustentável, doravante, a bipolaridade sexual e insustentável de uma forma que literalmente volatiliza o que acontece com o que pode se escrever dessa relação. (LACAN, J. O Seminário livro 18. De um discurso que não fosse semblante (1971), Zahar Ed, 2009, p. 62).

10.2. “É preciso distinguir o que sucede com essa intromissão do falo do que alguns acreditam poder traduzir pela expressão falta de significante. Não é da falta de significante que se trata, mas do obstáculo feito a uma relação.” (LACAN, J. O Seminário livro 18. De um discurso que não fosse semblante (1971), Zahar Ed, 2009, p. 62).

10.3 “Por este fato, a aparente necessidade da função fálica se descobre ser apenas contingência. É enquanto modo do contingente que ela pára de não se escrever. A contingência é aquilo no que se resume o que submete a relação sexual a ser, para o ser falante, apenas o regime do encontro.”(LACAN, J. Seminário 20: mais, ainda (1972-1973) Versão brasileira de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.127)

11.REAL E FIM DE ANÁLISE

11.1 “O real, eu diria, é o mistério do corpo falante, é o mistério do inconsciente.” (LACAN, J. Seminário 20 mais, ainda (1972-1973) Versão brasileira de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985p.178)

11.2 “Então, quem seria o analista? Pergunto em curto-circuito pretendendo concluir com esse ponto. Digo que seria alguém para quem sua análise permitiu demonstrar a impossibilidade da histoerização, ou seja, alguém que teria podido validamente chegar à conclusão de impossibilidade de histoerização, podendo então testemunhar sobre a verdade mentirosa como forma de estreitar a defasagem entre a verdade e o real.” (MILLER, J.-A. Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. Entre desejo e gozo. Rio de Janeiro, Zahar, 2011,p. 123)

12. SEMBLANTES

12.1. A identificação sexual não consiste em alguém se acreditar homem ou mulher, mas em levar em conta que existem mulheres, para o menino, e existem homens, para as meninas. (LACAN, J. O Seminário livro 18. De um discurso que não fosse semblante (1971), Zahar Ed, 2009, p. 33.).

12.2. Na verdade, que o semblante seja o gozo para o homem é uma indicação suficiente de que o gozo é semblante. É por estar na interseção desses dois gozos que o homem sofre ao máximo o mal-estar da relação que designamos como sexual. Como diria o outro , desses chamados prazeres físicos.  ((LACAN, J. O Seminário livro 18. De um discurso que não fosse semblante (1971), Zahar Ed, 2009, p.33-34)

12.3. Inversamente, ninguém senão a mulher – porque é nisso que ela é o Outro,- sabe melhor o que é disjuntivo no gozo e no semblante. Porque ela é presença desse algo que ela sabe, ou seja, que gozo e semblante, se se equivalem numa dimensão do discurso, nem por isso deixam de ser distintos no teste que a mulher representa para o homem, teste da verdade, pura e simplesmente, a única que pode dar lugar ao semblante como tal. ((LACAN, J. O Seminário livro 18. De um discurso que não fosse semblante (1971), Zahar Ed, 2009, p. 34).

12.4.“É preciso nos darmos conta de que, quando nós mesmos falamos em ser o falo, essa expressão já implica certo desprezo pelo ter do Outro varonil. No ser o falo já está contida uma redução do ter do Outro a semblante.” ((LACAN, J. O Seminário livro 19 …ou pior  (1971-1972). Rio de Janeiro, Zahar, 2012, p. 6)

13.CORPO

13.1.Mas é preciso prestar atenção quando se diz o que é o corpo. Não é forçosamente um corpo. A partir do momento em que partimos do gozo, isso quer dizer que o corpo não é inteiramente só, que há um outro. Não é por o que o gozo sexual, pois acabo de lhes explicar, este ano, que o mínimo que se pode dizer é que ele não é indireto, esse gozo. É o gozo corpo a corpo. É próprio do gozo que, quando há dois corpos, e muito mais quando há mais, não se sabe, não se pode dizer qual deles goza. É isso que faz com que possa haver nessa historia vários corpos aprisionados, e até serie de corpos. (LACAN, J. O Seminário livro 19 …ou pior  (1971-1972). Rio de Janeiro, Zahar, 2012, p-217)

13.2..“O véu do pudor pode efetivamente dar valor de falo, como diria Freud, a qualquer parte do corpo,o que demonstra que o manejo do véu faliciza.” (Miller, J.- Mulheres e semblantes II. Opção Lacaniana online nova série Ano 1. Número 1.  Março, 2010, p. 3).

14. SINTOMAS

14.1.”Quanto ao discurso da histérica, foi este que permitiu a passagem decisiva, dando seu sentido ao que Marx historicamente articulou. Que é, a saber, existirem acontecimentos históricos que só podem ser julgados em termos de sintomas.” (LACAN, J. Seminário 17. O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed.  1992. p. 193)

14.2.”Enfim, sublinhamos que o sintoma como acontecimento de corpo não condena a nenhuma solipsismo ou individualismo. Ele advém num corpo tomado pela linguagem, isto é, num corpo tomado no laço social com os outros. Porque o corpo de que se trata não é aquele do indivíduo. Ao passo que a Massenpsychology freudiana estava fundada na identificação, é uma nova psicologia das massas que se esboça a partir do acontecimento de corpo. Com efeito, os movimentos das turbas [foules] contemporâneas, as “multidões” (Hardt& Negri, 2004) se fazem e se desfazem em nome de alguma coisa que desafia a identificação. É a contra-partida do objeto de gozo situado nos comandos da civilização.” (LAURENT, E. O Avesso da Biopolítica. Uma Escrita para o Gozo. Rio de Janeiro, Contra Capa Livraria. 2016. p. 23)

15. ALÉM DO EDIPO

15.1. “Desse modo, o Édipo aparece já como uma superestrutura mítica, uma anedota apresentada por Freud para fazer entender, para dar conta da perda de gozo e do símbolo da perda de gozo. Quer dizer, do falo como símbolo no lugar do gozo e da perda de gozo. Trata-se então de separar Édipo e falo.” (Miller, J.-A. Convergência e divergência.  Opção Lacaniana online nova série. Ano 1. Número 2. Julho 2010. p. 5)

15.2.”A extensão da perspectiva do inconsciente político ao falasser nos leva aos  limites do questionamento psicanalítico sobre a relação do sujeito com o discurso. Ao centrá-lo sobre o acontecimento de corpo e não sobre uma identificação, aceitamos seguir Lacan na zona em que o sujeito se mantêm fora da garantia do “complexo de Édipo”. (LAURENT, E. O Avesso da Biopolítica. Uma Escrita para o Gozo. Rio de Janeiro, Contra Capa Livraria. 2016, p. 219).

16. FALO E SIGNIFICANTE

16.1 “Pois o falo é um significante, um significante cuja função, na economia intra-subjetiva da análise, levanta, quem sabe, o véu daquela que ele mantinha envolta em mistérios. Pois ele é o significante destinado a designar, em seu conjunto, os efeitos de significado, na medida em que o significante os condiciona por sua presença de significante”. (LACAN, J. [1958] A significação do falo. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, p. 697)

16.2  “Sua paixão, a do transexual, é a loucura de querer livrar-se desse erro, o erro comum que não vê que o significante é o gozo e que o falo é apenas o significado LACAN, J. O Seminario livro 19 …ou pior  (1971-1972). Rio de Janeiro, Zahar, 2012, p. 17).

16.3 “O único real que verifica o que quer que seja é o falo, na medida em que ele é o suporte da função do significante, acerca da qual assinalo nesse artigo que ela cria todo significado.” (LACAN, J. [1975-76] O seminário, livro XXIII: o sinthoma. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2007. p. 114)