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Editorial Polifonias #4


XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano - 14 de agosto de 2018 - 0 comments

O eixo Eróticas escrito a quatro mãos por Nohemi Brown e Cynthia de Freitas dá o tom desta edição do Boletim: desejo e gozo quando a falta não dá as cartas.

Esta construção, apontando o engodo da lógica fálica e convidando à escrita, a partir da clínica, sobre as invenções singulares que tornam suportável o real em jogo em uma parceria sintomática, funciona como um pivô em torno do qual os textos giram. 

Na rubrica Pontuações, Cristina Drummond e Angela Batista indicam, cada uma a sua maneira, o quanto o ensino do final de análise nos orienta na clínica contemporânea sobre a questão da nomeação do gozo: um nome para tentar limitar o ilimitado. 

Carlos Augusto Nicéias, no melhor estilo da Disciplina do comentário, elege e trabalha uma citação de Miller onde ele trata da relação entre verdade e gozo no intuito de resgatar o “fio de prumo da prática da psicanálise”.

Na rubrica Radar na cidade, Fátima Pinheiro nos apresenta o artista goiano Victor Arruda que, com seu gesto crítico e irônico, atualiza a ideia de Lacan de que não há discurso que não seja do semblante. Um de seus trabalhos, Grafite amarelo de 1978, atualmente na exposição no MAM/RJ à qual Fátima se refere,  ilustra com muita pertinência esse Polifonias. 

Assistam à excelente entrevista de Jesus Santiago onde ele se interessa  pela degradação do viril tanto em Lacan, a partir da leitura do caso Hans, onde aponta o declínio do viril quanto em seu final de análise em que se defronta com o engodo do viril. 

E, finalmente, notem como a imagem das duas mulheres, gentilmente cedida por Regina Maria de la Rocque Mendes, pintora e psicanalista aderente da Seção Rio, apresenta um toque da leveza que podem ter algumas consequências da queda do falocentrismo.

Desfrutem deste Polifonias!

Lucila Maiorino Darrigo (pela Comissão do Boletim)