Rolar para cima

Catando prosa e poesia


XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano - 5 de dezembro de 2018 - 0 comments

Sob a coordenação de Maria Wilma Faria e animada pelos debatedores Elisa Alvarenga e Antônio Beneti através de suas precisas colocações, a conversação do III Colóquio TyA-Brasil centrou-se na discussão de três vinhetas clínicas, cada uma ilustrando um dos eixos de trabalho. No primeiro, sobre a droga na sua dimensão de objeto, Cesar Skaf traz o “bom menino”, com traços autistas e imerso na dimensão do duplo. A partir de sua invenção da máquina do orgasmo fazendo função de borda – como resposta à irrupção de gozo transexualista desencadeado pelo uso de drogas – ensinou-nos que o saber-fazer se orienta pelo gozo opaco do sintoma e não pelas formações reativas apoiadas no eu-ideal, como foi sua fracassada pretensão de corresponder ao Outro superegóico suposto na transferência, se fazendo de “bom menino”. No segundo eixo, sobre desenganches saudáveis, sob a hipótese de um desligamento da injunção superegóica mortificante através da tentativa de um uso aparentemente vivificante de drogas, Giovanna Quaglia traz o “anjo devasso” que nomeia, com esse oximoro e sob transferência, seu próprio modo de gozo que apresentava traços melancólicos.  No terceiro eixo, sobre a iteração do um, Maria Célia Reinaldo Kato traz João, o abusado, que nos ensina sobre os efeitos iterativos de uma experiência traumática precoce (“fui abusado”), assim como da função do delírio, neste caso, de impedir uma passagem ao ato homicida; e onde o abuso da droga funciona a serviço de um gozo sem limites.

Finalizo com um apontamento da intervenção de Antônio Beneti – válida para os três casos – a respeito do risco de cairmos no engodo do ideal de bem estar das psicoterapias cada vez que, na direção do tratamento, não nos orientarmos precisamente pela singularidade do modo de gozo de cada um.