Rolar para cima

Catando prosa e poesia


XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano - 5 de dezembro de 2018 - 0 comments

Eróticas foi a primeira plenária deste belo XXII Encontro, e já ali recebemos de Letícia Lanz uma definição de falocentrismo: o rechaço moral do gozo. E nos conduziu pelos caminhos que percorreu para ser uma criação de si mesma, nem homem nem mulher, e sim, Letícia Lanz, mostrando-nos o que o universal não dá conta de nomear. Neste sentido, Oscar Reymundo precisou: entre o que se quer ser e o que se sabe que se é, há a sexuação que está além das crenças do eu, do gênero, das determinações sociais. A sexuação, então, tem menos a ver com os semblantes homem e mulher – que já não têm mais a consistência de outrora para manter juntos e correspondentes os sexos e os gêneros – e está mais perto de um ponto de implicação subjetiva do sexo com o gozo. Esse ponto cada um vai nomear. Simone Souto comentava que a assunção do seu sexo é uma decisão do sujeito, ou seja, cada um tem um sexo. E a queda do falocentrismo? Elimina o rechaço moral do gozo? Ao que tudo indica, muito pouco. As insistentes reparações para instituir correções moralizantes estão por toda a parte. Então, em psicanálise, dobramos a aposta: há um gozo irredutível ao dizer, lembrava Veridiana Marucio, que, entretanto, não impede que se testemunhe, com um nome e um corpo, os modos que se inventou para se virar com ele.