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Catando prosa e poesia


XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano - 5 de dezembro de 2018 - 0 comments

O XXIII Congresso Brasileiro do Campo Freudiano, intitulado A queda do falocentrismo, consequências para a psicanálise, na tarde do dia 24 de novembro de 2018, trouxe a Mesa Plenária Faloexcentrismos, presidida por Iordan Gurgel tendo como debatedora Maria Silvia Hanna, e com pontuações de Isabel do Rêgo Barros Duarte, Louise Llullier e Marcelo Veras.

Marcelo expôs alguns pontos que abordaram o faloexcentrismo, extraídos das Mesas de Leituras Clínicas, concernente à palavra daqueles que são analistas praticantes, mobilizados a levar suas contribuições. Ele elucida com suas premissas as inquietações do modo de vida na atualidade, em suas novas formas de lidar com a libido, com o dinheiro, impossível de negativizar, além daquilo que captura o sujeito contemporâneo em seu constante e acelerado uso do smartphone e de como interpretar pelo WhatsApp. Pontua as fakenews que, com notícias carregadas de horror, impulsionam as pessoas a compartilhá-las, produzindo ressonância do significante folocêntrico, onde o falo está no centro, no campo uniano, no mundo insaciável de objetos, onde é realizado o esforço da separação do modo de gozo. Também se referiu à restauração do casamento de papai e mamãe, movimento conservador americano, que não é realizado pelo masculino, mas enlaçado pelas mulheres. O eco da pornografia em uma realidade tridimensional, onde a difusão em nossa civilização não seria desvirilização, e sim ritual de passagem para o sujeito masculino que fica protegido no mundo virtual, além de se referir também à criança que, ao invés de brincar, fica conectada aos aparelhos por tempo infindável.

Já Isabel selecionou, a partir de leituras e discussões de casos clínicos, o desejo da mulher, o divórcio, o semblante, a virilidade do feminino que não se sustenta. Louise trouxe elementos de como pensar o falocentrismo, as mudanças que o conceito vem sofrendo, seja no deslocamento do significante, seja no sintoma contemporâneo sócio-político e na psicanálise. Maria Silvia pôs em debate considerações sobre as rupturas planetárias e como conservar a ideia de centro, fazendo um link com o que mudaria se o falo fosse retirado do centro.

O debate circunscreveu destacando alguns elementos – elaborações do falo, surgimento do objeto a – interrogando o que haveria de novo nos exemplos escolhidos pelos expositores e como podemos nos servir dos conceitos para orientar a resposta do analista na experiência e em outros dispositivos.

Iordan encerrou fazendo uma  pontuação do trabalho da mesa e trazendo algumas conexões, dentre elas a perda do poder da palavra, a elaboração do objeto a, lançando o desafio do uso de referências clínicas como um novo formato a ser seguido em outros trabalhos.